quinta-feira, 9 de março de 2017

Rosita, Aline e Susana

A versão do disco:

A versão do Tivoli:

Quando ouço esta música sou transportada para a casa dos meus avós Anita e Paulino, num daqueles domingos de casa cheia, todo o dia (almoço e jantar). Imagino o meu tio Zeca a escolher algo com este embalo para ambientar o fim de tarde, e a minha tia Isa a queixar-se que os mais novos "já nem sabem dar passadas".

Quando ouço esta música viajo para a mesa dos meus avós Francisca e Fernando, ele a contar histórias infinitas sobre Angola, ela a dizer-lhe que se despachasse a acabar a sopa, que "já está fria e eu não quero aquecer isso outra vez!" Todos os que estavam à volta daquela mesa minúscula na cozinha apertada bebiam dos seus contos mirabolantes, e eu pensava com os meus botões que devia sentar-me com ele um dia inteiro e gravar toda a sua narrativa de vida. Arrependo-me muito de nunca ter concretizado este desejo.

A Aline escreveu esta crónica sobre "Susana" e a sua autora. Também quero aprender a falar kimbundo, nem que seja só para entender este poema. Faço das palavras da Aline as minhas: "“Susana Filipa ny Madyca, Donana ny Antonika”, das melodias mais lindas que esta terra ouviu".

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sobral canta Bola de Nieve em tom Veloso


Dei com ele e com o seu disco por causa da sua estranha e cativante aparição no Festival da Canção.
Gosto muito deste Excuse me, está muito bonito.
Do que consegui averiguar acerca desta canção, eis o original, e a doce rendição de Caetano.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Só para Português ler



O alvo para 2017 é breve e simples: um dia de cada vez, confiar e obedecer. Um dia de cada vez, confiar no que a Palavra de Deus diz acerca Dele e dos Seus propósitos. Um dia de cada vez, obedecer às Suas ordenanças.

O ano novo começou há cinquenta dias. Cinquenta dias de altos e baixos, de lutas e muito, muito cansaço. É curioso observar que quanto mais quero fazer deste alvo uma realidade tangível, mais obstáculos se levantam.

Nos dias em que essa luta se torna mais atroz, sou incapaz de falar línguas que não as do meu coração. Não me peçam para falar em Inglês, se não for com candura, "com salmos e hinos espirituais". Não me peçam para explicar mal-entendidos, resolver conflitos, ou encarar relacionamentos difíceis. Quem diria! Eis que eu, Andreia, a rainha da confrontação, recolho-me na minha conchinha e espero que a tempestade passe, para navegar em águas mais tranquilas.

Quando o sono não abunda há cinquenta dias e a exaustão toma conta de mim, só me sei exprimir na minha pátria - em canções e desabafos como este. Se alguém me quiser alcançar terá de viajar até ao outro lado do Atlântico e assemelhar-se a algo desse lado, de lá.

***

Hoje na igreja cantámos:
As the deer panteth for the water  
So my soul longeth after Thee 
You alone are my heart's desire 
And I long to worship Thee   

You alone are my strength, my shield 
To you alone may my spirit yield 
You alone are my heart's desire 
And I long to worship Thee
Na minha língua (na versão que eu conheço):
Como um cervo anela a água
A minha alma brama só por Ti
És Tu só por quem meu ser brama
E quero adorar-Te 
Em Ti só tenho força ó Deus
Pois em Ti só posso repousar
És Tu só por quem meu ser brama
E quero adorar-Te 
É o refrão mais adequado para um dia como este, para os quarenta e nove que o precederam, e para os restantes que Deus decidiu conceder no porvir.

E agora, vou tentar dormir.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

It's that time of the year

Cheguei a casa e dei de caras com ela: a encomenda prometida. A minha prima-irmã já me tinha dito que me ia mandar uma caixinha cheia de delícias para eu matar saudades.


Eu já sabia que ela estava a caminho, até já sabia de parte do seu conteúdo. O que eu não sabia era o tamanho do tumulto que ela ia desencadear. Chorei. Muito. Sem parar. Como choro por tudo e por nada, imagino que esta descrição não seja grande surpresa, nem tenha muito impacto. Era preciso estar comigo naquela cozinha para se perceber convenientemente o tamanho da comoção. Agora que os trabalhos já estão entregues, as noites de pouco sono pertencem ao passado (por enquanto), e os exames são findos, vem à superfície o que se tenta enterrar desde 2013.

Sim, essa famigerada palavra unicamente portuguesa.

Os aniversários e o Natal são sempre as alturas mais difíceis para se estar longe. Quanto mais o tempo passa, mais recursos se vão reunindo para gerir a dificuldade da tarefa. Quanto mais o tempo passa, mais a verdade eterna se torna clara e óbvia: se não me focar única e exclusivamente em Jesus Cristo, de nada vale. Paradoxalmente, quanto mais o tempo passa, mais as saudades se aprofundam e adensam. Acabam por rebentar num pranto cansado quando menos se espera, só por se ver a letra de quem amamos num postal doce e amoroso.

(Suspiro)

Fui presenteada (entre outras coisas) com o último disco da Aline. Para já, esta é a favorita.


Não conhecendo a paisagem a que a autora se refere, penso nos jacarandás de Entrecampos. Sempre que ouço músicas sobre estas árvores, sou transportada para a caminhada habitual que fazia em dias quentes de Primavera, da estação de comboios ao ISCTE.

É, chegámos àquela altura do ano.

Deus nos ajude.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Mais uma voltinha, mais uma rodada


John W. Graham Library


Are you tired of being one of the few that still has school work to do?
Are you bored because you spend your days always at the same place?
Say no more! Study at a different library every day.
Experience the marvels of knowing different kinds of warmth, lovey-dovey whispers and school facilites in a very short period of time.
Explore the city, enjoy the cold, snow weather and share your favourite spots to study!
This is THE perfect tourist experience for that last week of papers and exams.
Make this your motto: Another day, another library.




quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Fidelidade




Gerstein Reading Room - UofT
Tenho aprendido que a fidelidade tem muitas facetas, muitas manifestações.
Às vezes, fidelidade é render-se e descansar por mais umas horas.
Outras vezes, ser fiel é acordar cedo e rumar à biblioteca.
Às vezes, fidelidade é orar e ler a Bíblia.
Outras vezes, ser fiel é ler artigo atrás de artigo atrás de artigo, com um só sussurro: "Socorre-me!"
Às vezes, fidelidade é ir dar uma grande corrida, ou levantar pesos num ginásio.
Outras vezes, fidelidade é permanecer sentada por muitas horas, mesmo com dores nas costas, e tentar escrever um parágrafo que seja.
Tenho aprendido que ser fiel é cumprir o que Deus orquestrou para mim, naquele preciso momento.

Senhor, o que é que determinaste para mim hoje?
Sou tão... mandriona, e dura de ouvido.
Dá-me um coração sensível ao Teu Espírito,
E membros imediatamente obedientes.

Senhor, o que é que me reservaste no dia de hoje?
Ajuda-me a saber, e a fazer.
Quero ser fiel a Ti.
Ajuda-me nisto, por favor.

Em nome de Jesus,
Amém.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

I'm writing a research paper on Postpartum Depression

Here's my unedited Introduction and working thesis.

Birth rates are currently at such and such. Wonder why this is happening, I hypothesize that they are decreasing (confirm) because of sin, selfishness and overall difficulty of being a mom. Mom pressure is ridiculous right now, the standard is dysfunctionally high and no one can keep up. But that has been the overall life of every woman anyway, always having to juggle so many things and still be awesome in all of them. Therefore, Postpartum depression affects such and such and is important to know, treat and address. The connection between mom and baby is a huge predictor of emotional health in adult life, resilience in the face of hardships, and overall mental health. It is of utmost importance to help and empower moms in this stage because in the future that will affect the whole world. Moms are the first and foremost influence in anyone’s life, they need support mechanisms set in place to help them when they’re struggling. Also, moms have connections with dads (marriage, living together, one-night stands… wonder how dad impacts/ is impacted by postpartum depression). So, helping a mom to cope is to help a woman, their child and the whole world. Strong moms raise healthy babies. Healthy babies become purposeful people. Purposeful people change the world. We need purposeful people more than ever, because this world is declining more and more each day. In the end, God is God. So even if a mom is struggling to raise her baby, this topic is important to study so that we can know how to best respond, working on God’s behalf as His vessels in reverting moms’ difficult situations.

Yes, this is how this head of mine starts papers.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Paz, noite e dia

Ontem foi o segundo domingo do Advento e, como manda a tradição, acendemos a vela da Paz. O Príncipe da Paz vem a caminho, e espera-mo-Lo com expectativa. Ao mesmo tempo, a ansiedade provocada pelos afazeres galopa incessantemente e compete pela morada do meu coração. É uma batalha constante, uma guerra agreste que se carrega no peito, mascarada com demasiada facilidade...

Sempre que é difícil pensar com clareza e andar serena, esta música faz-me descer à terra, respirar fundo, reconhecer que Deus está aqui. Ele é Senhor, não eu. Esta versão, sem palavras, é particularmente bonita, e ajuda-me a meditar neste presente infinitamente imerecido.


Emanuel.

O Deus dos Céus e Terra despojou-Se de tudo o que Lhe pertence e tabernaculou entre nós, só por amor, só para nos remir, só para nos restaurar.

Príncipe da Paz, cessa esta guerra travada contra a ansiedade.
Resgata-me da minha insanidade e faz-me meditar nas Tuas promessas, verdadeiras e fiéis.

"Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize" (João 14:27).

Quero esta Paz, Senhor, não só quando penso na noite em que nasceste, mas sempre.

Números

200 páginas para ler.
28 páginas para escrever.
6 dias.

Há um milagre da multiplicação das horas? 
Espero bem que sim.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Provável fim do interregno

Quero escrever acerca de alguma coisa que saiba
Expor e redigir documentos acerca de um assunto que domine
Falar numa língua que conheça
Sentir que, sim senhora, há qualquer coisa pulsante nesta cabeça.

Quero falar sem interrogações, com segurança e firmeza
Ser especialista em qualquer coisa, pode até ser na teoria da batata, ou do carapau de corrida...
Quero saber as regras, as linhas ténues onde a cultura se desenha e compõe
Quero entender o que é de mais, o que é de menos, e como evitar ir parar a esses sítios desconfortáveis.

Quero poder dizer o que penso sem pisar ovos
Ou "fazer xixi atrás do arbusto", como aqui se diz.
Quero a assertividade do amoroso "sim, sim, não, não"
Ser capaz de fugir da malabarista manipulação dos sentimentos de culpa.

Quero não ter de usar o tradutor do google a toda a hora e a todo o instante
Ainda para mais quando, após terem passado apenas três anos, já há vocábulos lusitanos que escorregam para o lado do esquecimento.
E, de repente, tenho de me forçar a continuar a aprender a minha língua mãe...
Quero a minha pátria sempre em mim, sem mutações, sem vacilações.

MAS

Escrevo papéis acerca de teorias e conceitos e terapias que, sinceramente,
São muita areia para a minha camioneta.
Leio e escrevo em estrangeiro, sempre naquele limbo perigoso entre o riso descabido e o pranto descontrolado - o limiar da loucura.
Sinto o cérebro a esticar, a esticar, e a clamar: "arrebenta a bolha!"

Regressei à idade das perguntas:
"Como se diz isto?" "Como se diz aquilo?" "Porquê?" "Como assim?" "Como se escreve?"
Pergunto e, para melhorar, se não escrevo, esqueço-me daí a cinco minutos.
Pergunto, e pergunto, e às vezes tenho de fingir que entendo (porque é por demais embaraçoso perguntar outra vez - acontece muito em cafés e supermercados)

Às vezes acordo cheia de cuidados - canadianinha em expansão
"Peço desculpa, peço desculpa..."
Outras vezes, a sensibilidade cultural tira férias e aí vou eu: tuga!
Faço barulho, confronto, e depois ando dias a lidar com as consequências.
Mas é nesses dias quem, para o bem e para o mal, sou quem sou...
Posso sair da minha terra, mas a minha terra não sai de mim.

O tradutor do google é um amigo mais chegado que um irmão
Bússola fiel e constantemente aprimorada pelos senhores engenheiros
Graças a Deus!
E quando a cabeça lateja de tanto inglês,
Fecho a porta e, de auscultadores nos ouvidos, viajo até casa nas melodias dos poetas e artistas que Deus deu ao meu querido Portugal.

When the day comes to an end and I lay on my bed, I give thanks.
For this amazing country, for the sweetness of its people,
For God's provision, and strength, and the miracle of doing a Masters at Tyndale.
For the multiplication of family, for deep friendships, for sisterhood.
For living surrounded by love, and grace, and second chances (every morning).
I even give thanks for singleness! (still a work in progress...)
I give thanks to God for planting me here, in this new land, and stretching me beyond measure.
Because through it all I'm learning how to live utterly dependent on Jesus, and Jesus alone.
I give thanks for the good days and the bad ones,
For the Holy Spirit living in me, who causes me to love God and live for Him.
I give thanks, and pray for the people God has given me across the globe.
And, yes... lately, most of the times, I do it in English.